secretária / 25 noviembre 2012

Novembro

Por Lou
Foto: Violeta Renyi

Não sei bem como funciona a distribuição dos talentos na vida. Desconheço. Alguém sabe dançar, outro é o Messi…Para mim, a sub-categoria que mais me intriga é a dos talentos domésticos: a habilidade de fazer um banquete com as sobras de ontem, ou o dom de limpar os vidros sem deixar marcas, a graça de iluminar ambientes…Creio que tenho algumas virtudes, não me queixo, mas invejo a que me falta: a Mão verde.

Corto as folhas secas, combato as formigas, arranco matinhos e rego: é o limite de onde chega o meu amor. Mas deve ser pouco para as plantas: se lotam de bichos ou param de crescer.

Minha mãe, por outro lado, faz surgir brotos entre as pedras. Sabe quando regar e quando não, quais devem ficar juntas, como administrar a sombra, guiar-las com varetas, girar-las, arear a terra. Sabe em que época podar e que as azaleias precisam de acides. Sabe transplantar com êxito.
Eu acho que a maioria dessas coisas ela intui, mas sobretudo creio que ela tem paciência. E essa é a habilidade que admiro.

Com as plantas, na vida, o talento é a paciência.

Agora estou tentando a sorte no mundo dos cactos. Deixo que tomem sol e os rego uma vez ao mês. Nada mais.

Dou pouco. Eles pedem pouco. E eu também peço pouco.
E quando cresce um broto é a gloria.