secretária / 26 agosto 2012

Agosto

Por Lou.
Foto: Silke.

Os lençóis estão supervalorizados. Já perceberam isso em outras partes do mundo e inventaram o edredom. Eu melhorei o sistema e ninguém reconhece: durmo diretamente sobre o mesmíssimo colchão. Bom, de vez em quando. Se a minha mãe ficasse sabendo, gritaria comigo e perguntaria se estou bem, se está acontecendo algo comigo. Pois sim, às vezes acontece algo comigo e minha auto estima me abandona, e outras vezes simplesmente acontece que tiro os lençóis, limpo a casa, aproveito a vida e quando a noite chega estou muito cansada para me dar ao trabalho de colocá-los. Acolchoado e apago a luz. Porque é fácil mordendo uma torrada e vestindo uma jaqueta, esticar a cama já arrumada, mas outra coisa é alisar organizadamente as camadas começando do zero. TODO MUNDO SABE.


Meu inimigo mesmo é o lençol de baixo. Seu corte mal feito é proverbial, como demonstra o fato de que tiveram que inventar implementos como ganchos de “esquina”. Tive que comprar: todos os dias ao acordar o tecido parecia um bolo. Nem preciso falar de quando se dorme um casal ou, melhor ainda, de sexo (ainda que neste caso somos dois para esticá-lo). Atenção, pode ser que os vértices da cama ajudem a reter de alguma forma os lençóis(?) e resida alí o ponto crucial de minha questão: não tenho uma estrutura. É que ainda não cheguei a esse ponto de maturidade horizontal. Passei seis anos dormindo num colchão no chão, e teria continuado assim se não fosse por um casal de amigos que me ofereceu o deles, pois haviam comprado um novo.

Não posso negar que foi uma mudança de perspectiva: um colchão em cima do outro é deixar de ter as pantufas ao alcance das mãos. Literalmente. Confesso que fui fiel e o meu é o de cima. Já está velhinho. Uma vez ao mês, religiosamente, viro ele, como fazem as avós.

Minha mãe diria: “Hippie ou avó, quem te entende?”.

Meu psicólogo diria: “Interessante”.