secretária / 31 Marzo 2012

Março

Por Lou.

A casa não avança e o plano vai ficando cada vez mais lento. Acho que é a época. Procuro idéias na internet, e nada: a linha entre a inspiração e a frustração é muito fina. Plano B: jogo coisas no lixo e presenteio outras. Que não se trate de organizar, e sim de inovar. Plano P: passo horas olhando a parede branca e sonho com opções meio impossíveis. Plano Z: vou dormir com vontade de mudar de casa.

Deitada, vejo o canto e imagino um escritório. Não. Uma luminária. Um pequeno sofá. Menos.

No dia seguinte, movo um quadro e por alguns instantes me convenço. Sinto que o pior já passou. De noite fico olhando pra ele, da cozinha, da porta, com luz e na escuridão, caminhando.
Não rola.

De manhã, eu tiro.

Brigo com os quartos. Os abandono, não os arrumo. Pra ver se é verdade que o caos ilumina.

Mas nem tanto.

E finalmente peço ajuda: aos amigos por inspiração, a meu pai arquiteto por objetividade, e ao carpinteiro por ação.

Enfim. Há semanas estou assim. Como se eu não me conhecesse. Já aconteceu outras treze vezes antes, porque treze vezes me mudei. “No primeiro ano a casa está decaída, e com um ano e meio a casa está decantada”.

ISSO EU JÁ SEI, me dou uma bronca.

Agora decaída, amanhã decantada.

Repito em voz alta.

Me convenço.

É o meu mantra.